Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

outro assunto que anda rondando a minha cabeça é como é impressionante o fato de que muitas coisas perdem a intensidade quando o tempo passa... claro que de cada relacionamento passado (aqueles não muito traumáticos geralmente) guarda-se lembranças boas e recordações específicas sobre um ou outro momento mais intenso.
a questão é que todo o resto se perde após algum tempo. não acho que isso seja necessariamente ruim, mas quase dá pena perceber que tanta coisa boa já vivida foi simplesmente esquecida.

digo isso porque faz algum tempo que percebi em mim e em algumas pessoas que me cercam a tendência de sempre achar que a paixão atual é a maior e mais mágica que já viveram. claro que não contam as pessoas que acreditam já terem encontrado os "amores de suas vidas" e isso já faça parte do passado...
a questão é que quando essas pessoas passam algum tempo sem se interessar realmente por alguém e de repente surge aquela pessoa que parece entendê-las completamente, fazendo com que a sensação de frio na barriga seja constante, a impressão que elas têm é que nunca sentiram algo igual. por mais que a memória seja boa e haja a consciência de outros grandes amores passados, sempre há uma brecha por onde comentar "ahhh, mas tem tal coisa que a pessoa faz que eu nunca senti.".

é por essas e outras que eu adoro escrever sobre o meu presente. é por essas e outras que mantenho diários há dez anos. é por essas e outras que eu adoro históricos de msn e caixa de msgs de celular bem grande. de uma forma ou de outra, eu tento manter um banco de dados com algumas informações sobre relacionamentos passados, para que no futuro quando eu as veja, não fique pensando que eu era louca.

Caso 1:
Esse tal "pensar ser louca" já me surpreendeu algumas vezes... Acontece principalmente naquela época em que você está se recuperando de um relacionamento curto que não deu certo e está justamente na fase em que vê muito mais defeitos na relação e na pessoa do que realmente existem. Aí você fica achando tudo uma merda, uma perda de tempo e quase morre de raiva por ter gostado tanto de alguém que não retribuiu o sentimento. Pior; dá raiva de você por ter "viajado" e gostado muito mais do que deveria...
É nessas horas que eu gosto de ler coisas escritas no início e no auge da minha paixonite aguda... O fato observado é que na grande maioria das vezes, eu não me apaixonei cegamente e sim tive total incentivo alheio. É aí que você percebe que em muitos casos, quem começou a história correndo atrás e quem se mostrava ser o maior interessado não era você.

Pensando nisso tudo, da última vez que eu percebi estar me apaixonando, escrevi tudo o que tinha acontecido desde a primeira vez que vi o moço em questão e tudo o que eu andava sentindo (isso inclui as tais "sensações únicas" que talvez não sejam tão únicas assim....). Meus amigos sabem o quanto eu sou detalhista em histórias e isso resultou em mais de 10 páginas escritas. Pronto, está ali o relato que eu preciso pro tempo em que eu não acreditar no quanto fui envolvida rapidamente.

Caso 2:
Passa-se um tempo até que eu tenha notícias de alguém que foi muito importante em determinada fase da minha vida... Bate uma quase nostalgia, e lá vou eu recorrer à agenda do ano em que ele esteve muito presente. Me surpreendo ao ver que escrevi coisas muito parecidas com o tal relato de 10 páginas mais recente. Me surpreendo ao lembrar que o que senti naqueles meses foi muito mais forte do que eu me lembrava... Numa determinada página há uma menção a uma conversa de msn que fluiu perfeitamente. Lá foi Ana cavar nos históricos antigos em busca da tal conversa... Encontrei. Me diverti relendo aquilo tudo; senti orgulho de mim por não ter me achado patética em nenhum momento (não é raro eu me sentir patética lendo coisas que escrevi ou falei há algum tempo...) e notei que aquela fluidez na conversa eu nunca tinha conseguido com mais ninguém. E isso inclui a tal última paixonite, que ainda está fresca.
Deu saudade. Não tanto da pessoa, mas da situação. Deu vontade de ter aquela compatibilidade com outras pessoas. Deu um sentimento de "como eu pude me esquecer que era assim?".
Bom... O caso é que esse foi o relacionamento mais "deu-certo-sem-ter-dado-certo-porque-valeu-a-pena" que já tive. Haviam muitas outras questões em que não éramos compatíveis e por isso não deu certo... Além disso, eu tenho a plena consciência que não foi "o grande amor da minha vida", mas eu fiquei realmente pensativa sobre isso.

Acho que a capacidade de regeneração do ser humano após uma história frustrada é tão incrível que acaba bloqueando certas coisas para que não causem mais sofrimento. Claro... Se não fosse assim, as pessoas nunca esqueceriam outras e não conseguiriam "partir pra outra". Mas dá pena perder tantos momentos bons vividos por causa de uma ferida que ainda está aberta...

ZanaZelda at 2:18 PM




sonho ruim e absurdamente real.
por que será que todas as vezes que eu sonhei com aquela criatura foi dessa forma? sempre acordo quase chorando, ainda sem acreditar que era só um sonho mesmo.

só não entendo por que essa história foi resgatada agora.
será que são as mesmas inseguranças ou é a minha cabeça que está me levando a ver as coisas por esse lado? de qualquer forma, eu juro que ando tentando ouvir a minha intuição, mesmo que a voz seja baixinha... e quer saber? até agora ela só disse uma ou outra coisa boa.

ai, esse negócio de querer ouvir a intuição é complicado, às vezes o tiro sai pela culatra... fato é que eu já consegui observar vários casos na minha vida em que ela praticamente gritava e eu não queria ouvir... dizia para mim mesma que aquelas coisas ruins que eu cogitava estarem acontecendo eram produtos de uma paranóia infundada (aliás em muitos destes casos, não só eu tentava me convencer disso, como também as pessoas envolvidas....). a partir daí eu concluí que de uma forma ou outra, eu sempre tenho as respostas das coisas antes que elas aconteçam... a questão é saber ouvir e interpretar os sinais. ok. o problema é quando você não sabe mais se as inseguranças surgidas da noite pro dia são paranóias infundadas realmente ou se são recados da intuição, já que você se propôs a ouví-la a qualquer custo.

deu pra entender? a questão é que antes eu ignorava as vozes interiores por achar que fossem paranóia... e agora, na paranóia de querer ouví-las, talvez eu esteja ouvindo coisa onde não tem.

enfim, muito complicado esse mundo.

(eu sei que não ando fazendo muitos posts comentáveis ultimamente, mas enfim... tô na fase de escrever pra mim mesma... como uma conversa)







ZanaZelda at 1:39 PM